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A luta continua, contínua

Uma história de 76 anos - Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo

O movimento sindical brasileiro surge já no início do século XX. A principal inspiração era o movimento anarquista (pensamento que nega a necessidade de Estado como organização social) e está presente mesmo antes da grande greve operária de 1907.

O crescimento da organização sindical faz o governo criar o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930. O principal objetivo era disciplinar os sindicatos que deveriam se associar a federações e confederações, conforme lei de 1931.

Para disciplinar as atividades sindicais o Ministério do Trabalho define que os sindicatos são “órgãos de colaboração do Estado no estudo de solução de problemas, que, direta ou indiretamente, se relacionem com o interesse da profissão”. É nesse contexto que surge o Sindicato dos Químicos e Plásticos.

Fundação

O Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo tem 76 anos de história. Nasceu em janeiro de 1933 no bairro do Brás. Na época representava os trabalhadores da Companhia São Paulo de Gás. A empresa inglesa não gostou nada da organização dos operários e em apenas dois anos conseguiu inviabilizar a existência do Sindicato. As perseguições na época eram ainda mais intensas que as atuais.

A perseguição dos patrões não foi o suficiente para segurar os operários e em 1936 o Sindicato ressurge, agora, com o nome de Sindicato dos Operários e Empregados na Fabricação de Produtos Químicos Industriais. A abertura política iniciada em 1945 impulsiona a opção dos Químicos por uma atuação livre; mas essa atuação custa caro e em 1947 o Ministério do Trabalho cassa toda a diretoria.

Divisão

O Sindicato continua existindo, mas as direções seguintes se conflitam e, em 1954, resolvem separar os setores: Químicos e Plásticos. Os trabalhadores do setor Químico se organizam contra a submissão ao Ministério do Trabalho e compõem uma oposição com PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e PCB (Partido Comunista Brasileiro).

A direção que obedece ao governo não aguenta muito. O grupo chamado corrente nacionalista (do qual a oposição dos Químicos participava) consegue ampliar o poder de negociação dos trabalhadores e em 1957 a oposição assume o Sindicato. A votação teve 91,9% para a oposição contra, os poucos, 8,1% para a situação. O presidente do Sindicato é o companheiro Adelço de Almeida, trabalhador na Nitro Química, que ficaria no cargo até o golpe militar de 1964.

Um movimento grevista iniciado, em 1957, na Nitro Química amplia-se por todo o Estado e obtém adesão de vários outros sindicatos, além dos Químicos que lideram o processo. Mais de 400 mil trabalhadores paralisam suas atividades.

                                                

O Sindicato dos Plásticos também se destaca na representação operária. A militância de José Custódio Almeida é importante nessa liderança, o mesmo será decisivo no processo de reunificação entre Químicos e Plásticos.

Golpe de 1964

O presidente João Goulart apresentou reformas aos trabalhadores e o sindicato apoiou as iniciativas. Mas a tomada do poder pelos militares e a implantação da ditadura trouxe um grande retrocesso para a organização dos trabalhadores. Nos dois sindicatos (Químicos e Plásticos) houve intervenção.

Químicos – A diretoria é integralmente cassada, o presidente do Sindicato Adelço Almeida tem sua casa invadida e é preso, além de ser torturado por três vezes.

Plásticos – Tem seu presidente Miguel Pereira e o dirigente José Custódio Almeida afastados, José Custódio compõe em 1985 a chapa cutista que derrota os interventores.

O período é intenso, mortes se tornam costumeiras para os ativistas, torturas, prisões e fim da liberdade. A resposta do movimento sindical vem no importante ato de Primeiro de Maio, na Praça da Sé, que em alto e bom som vaiou autoridades (inclusive militares) e teve, ainda, uma pedra lançada no governador de São Paulo, Abreu Sodré.

Nova organização

O medo da violência da Ditadura impedia a atuação sindical, principalmente no fim dos anos 60 e início dos anos 70. Os sindicatos mais combativos se organizavam em reuniões escondidas (clandestinas) com trabalhadores que não aceitavam a submissão ao regime de opressão dos militares.

O presidente da República Ernesto Geisel iniciou, em 1974, o processo de abertura do país, “lento, gradual e seguro”. O movimento sindical sabia que não era só esperar a redemocratização, por isso, na mesma época organizou o confronto aos militares e aos patrões.

O Sindicato dos Químicos inaugura em 1977 sua nova Sede, na rua Tamandaré, no bairro da Liberdade, onde ainda se encontra. O movimento sindical tem um salto de organização e qualidade. As lutas no ABC, lideradas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, foram o marco do período.

O presidente dos Químicos é Valdomiro Macedo e as condições de trabalho nas indústrias da categoria criam o ambiente adequado para a organização do sindicalismo de luta e atuante. O Brasil está mudando e os movimentos organizados fervilham. A oposição sindical afirma um novo contexto para a organização dos trabalhadores.

Sindicalismo combativo

Mais de cinco mil (5.000) trabalhadores se reúnem na I Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) para discutir o novo momento do sindicalismo brasileiro. A conferência acontece em julho de 1981, na Praia Grande. As perspectivas eram excelentes.

Os trabalhadores dos Químicos e Plásticos, divididos em dois sindicatos, organizam grupos de oposição sindical. O objetivo era um sindicalismo combativo e livre de todas as amarras da ditadura. Esses grupos são vitoriosos e em 1982 os Químicos vencem as eleições sindicais; não demora muito e em 1985 os Plásticos também vencem.

Em 1983 o sindicalismo brasileiro avança e organiza uma greve geral que desafia o regime militar, em 21 de julho. As reivindicações são por liberdade de organização sindical e pelo fim da ditadura, principalmente. Essas duas causas unificavam todos os trabalhadores e em agosto ocorre a fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

                                            

A conquista, pela oposição sindical

Tanto o Sindicato dos Plásticos quanto o Sindicato dos Químicos possibilita a mobilização em conjunto, a partir de 1985. A primeira conquista é a redução da jornada de trabalho, sem a redução de salários, de 48 horas semanais para 44. Apenas em 1988 a Constituição Brasileira consolidaria o direito para todos os trabalhadores.

A integração da luta é intensificada, os sindicatos implantam subsedes únicas conjuntamente em: Santo Amaro, Tatuapé, Lapa e São Miguel. Essas subsedes se configuram num espaço de luta estendido para todas as lutas dos trabalhadores. Também servem como construção de organização horizontal da CUT.

Além da redução da jornada de trabalho, os Químicos e Plásticos participam ativamente na Constituinte 1988 e de todo o processo de Diretas-já que traria em 1989 o sindicalista Lula como candidato a presidente do Brasil. Derrotado naquele momento, o movimento sindical viu que era possível sonhar mais alto.

Democratização

Infelizmente o país aprendeu da pior forma e em 1992 os protestos do “Fora Collor” reascenderam a participação social. A conquista da democracia veio com o voto manipulado pela televisão e outros meios de comunicação. O Sindicato participou de todas as manifestações e Collor deixou a Presidência da República.

As lutas de interesse da nação não eram a única pauta dos sindicatos. O processo de unificação estava em gestação e acontece o primeiro Congresso Unificado na cidade de Caraguatatuba, em 1993. As resoluções do Congresso apontam para a unificação com eleição para uma única diretoria, já em 1994.

O ano de 1994 não foi apenas o momento da unificação dos Químicos e Plásticos, foi também o lançamento do Plano Real. O pacote econômico tinha dois interesses claros: reduzir a inflação e impedir a eleição de Lula. Lançado pelo ministro da Economia, Fernando Henrique Cardoso, que se tornaria o presidente da República, o plano foi denunciado pelo sindicato por trazer perdas para os trabalhadores.

Na presidência o FHC privatiza e destrói o patrimônio público, os trabalhadores têm seus direitos questionados e o empresariado culpa o trabalhador pela miséria do país. O Sindicato tem papel importante na preservação dos direitos e na luta contra o neoliberalismo.

    

A luta continua, contínua

A intensificação do ataque aos trabalhadores resulta num movimento contrário: em 2002 é eleito presidente da República do Brasil o ex-sindicalista Lula. A esperança vence o medo! Os trabalhadores chegam indiretamente ao poder e têm novas tarefas.


No Sindicato a luta continua, a proximidade ideológica com o presidente apenas atribui mais responsabilidade na representatividade dos trabalhadores. As lutas históricas continuam: liberdade sindical, democracia, trabalho digno, respeito aos seres humanos, defesa das mulheres, defesa da diversidade racial, “respeito à diversidade sexual”, jornada de trabalho de 40 horas, defesa das minorias e  apoio aos movimentos populares.
 

O trabalho sindical requer tempo, o Sindicato dos Químicos e Plásticos sabe disso e tem avançado. Enquanto o Congresso Nacional discute a redução de jornada, sem redução de salários, o Sindicato já conquistou o benefício antecipadamente para vários trabalhadores. As lutas gerais são importantes e, além das conquistas salariais de cada dia, o Sindicato luta por mais direitos e justiça no trabalho.
A independência do Sindicato com relação a patrões e governos é uma marca.


O confronto e a denúncia que fazemos a favor dos trabalhadores é outra importante identidade. Não existem fórmulas simples da atividade sindical, mas o compromisso ideológico de defesa dos trabalhadores orienta com firmeza as atividades dos Químicos e Plásticos. Os dirigentes trabalham para aperfeiçoar a representação dos trabalhadores.
 

                 

Uma mulher no poder         

Foi difícil chegar aqui e, mesmo sendo maioria no país, as mulheres ainda enfrentam grandes desafios para mostrar que já não ocupam mais o lugar de “sexo frágil” na sociedade. Dos 122 anos de eleições brasileiras, as mulheres puderam participar apenas de 78 deles. Quando o voto foi liberado para elas, em 1932, esse direito ainda era repleto de restrições. A mulher tinha que ser casada, viúva ou solteira com renda própria. E a mulher casada ainda precisava de uma autorização de seu marido. Só depois de dois anos, em 1934, é que elas conquistaram o direito de votar sem restrições, tendo o voto obrigatório apenas em 1946.

E desde lá a mulher vem conquistando espaços na sociedade que foram sempre ocupados por homens. Hoje, elas representam 51,04% da população brasileira e sua representação no mundo do trabalho, apesar de ainda ser menor que a do homem, cresce a cada ano. Um dado importante é o nível de formação da mulher, que é superior ao homem. De acordo com dados do IBGE, 61,2% das mulheres têm o segundo grau completo versus 53,2% dos homens. E a parcela das mulheres com nível superior é de 19,6% versus 14,2% dos homens. Esse dado pode significar, ao longo dos anos, chances maiores às mulheres no campo profissional.
 
As batalhas a serem vencidas ainda são muitas. O preconceito e o desrespeito com a mulher ainda é grande, mas temos uma grande referência feminina num lugar que até agora só foi ocupado por homens. O Governo Dilma ainda está só no começo. As expectativas são as melhores possíveis. E o mais importante é que a mulher eleita tem um compromisso firmado com os trabalhadores. O Brasil avança em todas as áreas e Dilma é a melhor pessoa para liderar os próximos desafios da nação.
 
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Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo e Região
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