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Postado em: 05/12/2016 - 10h52

Corte de empregos e de direitos: duas faces da mesma moeda

Governos precisam de bancos públicos quando vão realizar importantes políticas sociais. Por isso, governos tucanos terminaram com os bancos públicos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros estados. Porque não priorizam as políticas sociais. Seus bancos são os bancos privados. 

Na ultima campanha eleitoral, embora afirmassem que manteriam as políticas sociais dos governos do PT – reconhecida como chave do do sucesso desses governos –, os candidatos da direita eram desmentidos por seus gurus econômicos, que revelavam a verdade das suas posições. Um desses gurus chegou a dizer que “a economia não cresce porque o salário mínimo é muito alto” (sic!). Afirmação reiterada por FHC. Outro dizia que dos bancos públicos não restaria quase nada. Não se sabe se o seu candidato tivesse triunfado, se seguiria fazendo políticas sociais com o Bradesco ou o Itaú.

Agora, com o governo golpista, a aplicação do duro ajuste fiscal tem, por um lado, fechado grande quantidade de agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Por outro, estão cortando dezenas de milhares de Bolsas Família e ameaçando fazer o mesmo com o Minha casa, Minha Vida. São duas caras da mesma moeda. Menos políticas sociais, menos agências dos banco públicos.

Para isso, contam com a distância entre os funcionários da Caixa, por exemplo, e os beneficiários do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. Quando o destino dos dois está totalmente imbricado um no outro. Resistir contra o fechamento das agências do Banco do Brasil e da Caixa é resistir contra o brutal corte de recursos para as políticas sociais.

É o momento de os trabalhadores dos bancos públicos estabelecerem estreita aliança com os beneficiários dessas políticas, usando os cadastros desses beneficiários nos distintos programas sociais do governo. Buscá-los, ajudá-los a se reunir, discutir com eles estratégias conjuntas, trazê-los para as manifestações dos trabalhadores bancários. Da mesma forma que os petroleiros têm de unir suas lutas às dos estudantes e dos professores, que resistem aos cortes dos recursos para as políticas educacionais e que são diretamente afetados pelas privatizações do pré-sal, que tem destinado recursos para as políticas sociais.

São dois temas centrais na ação devastadora do governo golpista: golpear aos trabalhadores, elevando significativamente o desemprego e enfraquecendo a capacidade de negociação dos trabalhadores. E rebaixar as condições de vida da massa da população, diminuindo radicalmente as políticas sociais.

Todos os que lutam contra o governo golpista e suas medidas antinacionais, antidemocráticas e antipopulares, têm que estudar essas medidas, se dar conta dos setores que são afetados por elas e ajudar a que tomem consciência disso, para construir uma barreira popular de contenção contra esses retrocessos. Hoje, a linha divisória não é mais entre os que estão a favor e contra o golpe, mas entre os que estão a favor dessas medidas e os que estão contra, entre o 1% mais rico e a quase totalidade dos brasileiros.

Emir Sader